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O paradoxo da Geração Z: o impacto das telas, a falta de vínculos reais e a busca pela paz em tempos de ansiedade
O mundo nunca foi tão acessível quanto no século 21. Na palma da mão, um jovem da chamada Geração Z carrega bibliotecas inteiras, acesso a mercados globais e a possibilidade de se conectar com qualquer pessoa em segundos. No entanto, por trás do brilho das telas e do conforto material, esconde-se um paradoxo doloroso: essa mesma juventude, que dispõe de recursos jamais sonhados por seus avós, enfrenta uma epidemia de desamparo emocional.

Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um cenário alarmante no Brasil: 28,9% dos adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos relataram sentir tristeza na maioria das vezes ou sempre. Mais grave ainda é o dado de que 18,5% dos entrevistados sentem que a “vida não vale a pena ser vivida”. O que está acontecendo com a geração que cresceu em um cenário de maior facilidade, mas parece ter perdido o sentido da paz interior?

O fim da infância offline

Para a psicóloga Karina Keter Guedes Mota, a resposta começa na mudança drástica das estruturas de convivência. Enquanto as gerações passadas tinham uma infância baseada no brincar e em interações presenciais, a juventude atual vive uma realidade mediada por algoritmos. “Nas gerações anteriores, as estruturas familiares eram, em geral, organizadas de forma mais definida”, diz.

Com a vida urbana acelerada, o cuidado direto dos pequenos foi substituído, muitas vezes, por dispositivos tecnológicos. Karina faz referência ao psicólogo social Jonathan Haidt que aponta que, a partir de 2010, houve uma mudança no padrão de saúde mental juvenil, o que coincide com a popularização dos smartphones. “Uma infância baseada no brincar tende a fortalecer habilidades emocionais e sociais, enquanto uma infância predominantemente mediada por telas é enfraquecida”, afirma Karina.

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