Treva Edwards, de 61 anos, fundador da igreja “Jesus é o Senhor pelo Espírito Santo”, em Orange, foi acusado pelas autoridades federais dos Estados Unidos de tráfico sexual mediante força, fraude ou coerção, além de trabalho forçado e conspiração para trabalho forçado.
Segundo o Gabinete do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Nova Jersey, a esposa dele, Christine Edwards, de 64 anos, também responde por conspiração para cometer trabalho forçado.
As acusações afirmam que o casal recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade financeira e familiar para integrar a igreja, que funcionava em um prédio de apartamentos em Orange, entre 2010 e 2025.
De acordo com os pesquisadores, Treva Edwards se apresentava como profeta capaz de se comunicar diretamente com Deus e dizia às vítimas que a desobediência às suas orientações resultaria em punições espirituais e consequências físicas, emocionais e financeiras.
As autoridades afirmam que os membros da igreja eram enviados para realizar trabalhos braçais em propriedades residenciais e comerciais da região, por meio de contratos obtidos pelo casal, sem receber remuneração.
“Treva Edwards pregava às vítimas que comunicava a vontade de Deus, que era da vontade de Deus que elas trabalhassem e que os membros tinham que realizar trabalhos para servir a Deus. Os Edwards convenceram as vítimas de que elas perderiam o favor de Deus e do ‘Profeta’ se não realizassem trabalhos”, declarou o gabinete do procurador dos EUA.
Segundo a acusação, o casal também impunha regras rígidas relacionadas à alimentação, sono, oração, trabalho e contato com pessoas de fora da igreja. Os investigadores afirmam que as vítimas eram isoladas e monitoradas constantemente.
“Os Edwards instituíram e impuseram regras rígidas sobre quando e se as vítimas podiam comer ou dormir, quando e por quanto tempo deveriam orar e trabalhar, e se podiam falar com pessoas de fora da igreja ou sair do prédio. Eles isolaram as vítimas, monitoraram suas comunicações e paradeiro, e as convenceram de que as pessoas de fora da igreja eram más ou possuídas pelo demônio”, informou a acusação.
As autoridades também acusam Treva Edwards de abusos físicos e sexuais contra integrantes da igreja. Segundo o processo, uma das vítimas foi agredida repetidamente entre 2012 e dezembro de 2019 dentro do prédio utilizado pela congregação.
“Treva Edwards obrigou a Vítima 3 a ter relações sexuais com ele, em parte usando força física e em parte dizendo à Vítima 3 que ter relações sexuais com ele era a vontade de Deus e impediria que a Vítima 3 desenvolvesse problemas mentais”, afirma a acusação.
Os promotores também alegam que Edwards orientou uma das mulheres a realizar um aborto após ela engravidar dele. Em comunicado, o procurador federal Robert Frazer afirmou que o acusado utilizava influência religiosa para controlar pessoas vulneráveis.
“Treva Edwards supostamente explorou a fé, o medo e a coerção para controlar vítimas vulneráveis em seu próprio benefício. Conforme alegado na acusação complementar, Edwards manipulou membros de sua igreja para que realizassem trabalho não remunerado e submeteu as vítimas a abusos físicos, emocionais, espirituais e sexuais sob o pretexto de autoridade religiosa”, declarou, segundo informações do portal O Posto Cristão.
Se condenado pelas acusações de tráfico sexual mediante força, fraude ou coerção, Treva Edwards poderá receber pena mínima de 15 anos de prisão e máxima de prisão perpétua. Ele também pode ser condenado à prisão perpétua pelas acusações relacionadas a trabalho forçado, caso seja comprovada a ocorrência de abuso sexual agravado.